Rascunhos.
Só quero escrever, mas se soubesse não teria
tal dificuldade em expressar o que vejo ou o que ouça. Só sei jorrar no
papel um bando de palavras que remetem a relações mal resolvidas, o que
não é nada bom de se ler. Bem, já é um começo tolerar esse fato. Mas
sinto saudade pela perda da facilidade de descrever o que vejo e não o
que sinto.
É que eu continua tentando.
Sei que não cabem em livros as histórias que
tenho a contar, nem provem de palavra alguma a descrição dos meus
sentimentos. Mas nem por isso eu deixo de insistir.
Uma hora a gente conta, é necessário.
Preciso acreditar que irei retomar minha
rotina. Não quero olhar pra um rostinho bonito qualquer e saber que este
despertou algo. Talvez seja medo... Não vou permitir viver desta
experiência para descobrir que não passou
de algo fugaz. Chega de machucar corações e sofrer com isso. É tão mais
simples dissimular até que a oportunidade certa de fugir chegue. Mas eu
juro que cansei de tanta fuga. Sinto culpa por ceder à tamanha
intensidade passageira. Não sei mais o que é capricho, fuga, querer ou
medo. Me falta certeza, tenho de saber onde coloco meus pés. Odeio
afastar as pessoas por descobrir que acabo entrando em território
desconhecido. Procuro transparência enquanto tento ser discreta. Tenho a
insuportável curiosidade a respeito de quem me interessa enquanto luto
para me esconder. Detesto o fato de possuir uma contradição infiel que
insiste em falar mais alto. Por fim, sei que existe em mim o desejo de
descrever muito mais, no entanto, é detestável desabafar a respeito.
Vai na fé .
Ser forte por vezes é cansativo. Há quem diga
que poucas pessoas são. Ok! Eu me pergunto se elas fingem muito bem ou o
ato de ser forte é um dom o qual não recebi.
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