Minha idade cronológica diminui quando me apaixono. Sempre
assim! Fico só a olhar. Fantasio demais. Quero mais ainda. Não faço nada. Fico
só de longe a observar. A ouvir. A admirar. Chega a ser doentio. Não é justo.
Nem certo!
E a duvida? Por vezes é cruel. Se algo me impede de agir,
quem me garante que não acontece o mesmo com ele? Devo tomar uma atitude? Esperar?
Desistir? Implorei por novos ventos em minha vida. Chegaram. Eles são
tentadores e atordoantes. Virou um vicio sorrir a toa em meio à desvaneios.
Palavras que nunca serão ditas. Momentos que nunca se concretizarão.
No final das coisas, as pessoas não entendem. Pras mais
distantes, você esta feliz. Pros de rotina, você esta se iludindo. Pros amigos,
você surtou, ficou boba. Pros mais íntimos, você está apaixonado.
Nenhum se encontra errado de fato. A confusão em sua mente
impede de enxergar isso. São bilhares de pensamentos num minuto. A mistura de
muitos sentimentos. Chega uma hora em que devemos admitir. Não é cautela. Nem
medo. Não é amor próprio. Nem auto preservação.
Então admita. Você não sabe o que lhe aconteceu. O que ele
despertou em você. Nem como. Nem se quer imagina quando tudo isso teve inicio.
Nunca sabemos quando entramos em uma fria. Só depois de estarmos é que
reconhecemos.
Eu não o amo. Mas não o odeio. É minha única certeza. Me
encontro entre sentimentos muito fortes. Não é o sim, muito menos o não.
Talvez, talvez, talvez... A verdade que não me conformo com o meio termo, nem
com a incerteza. Ta tudo tão incerto. E isso me agrada. É incompreensível.

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