Para um amor quase possível

Posso pedir-te para guardar um segredo, mesmo que este esteja gravado em um papel amassado? Vi em um fim de semana paginas com algo escrito e imediatamente lembrei-me de você. Tentei não me imaginar copiando palavras que não eram minhas, mas que conseguiam descrever cada pedacinho teu, cada arrepio meu, tudo que minha covardia não permiti expressar. Não sei mais o que ou como dizer o que outra pessoa roubou de mim, então faço das palavras dela, as minhas! (...)

E de repente o mundo inteiro cabe em um abraço, dorme no mesmo espaço e carrega no rosto a barba de semana passada. De repente eu perco o rumo, descanso os olhos e abrigo meus medos em um sorriso, em um abismo, que grita em silêncio os distúrbios e vantagens causados por um pulo meu. De repente eu sucumbo a loucura, abandono a razão, encho de companhia essa minha solidão e alivio. De repente eu consigo ver de longe, quase que embaçado ainda, alguém desatando meus nós, me reduzindo ao pó, e me montando novamente. De repente eu vejo você, moço, brincando com as minhas manias e guardando a nossa saudade na gaveta da sala. N.B.

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