Quimera

Descrever o que vejo, sufocar com o que sinto!
Um brinde à dor de ver você saciar-se com lembranças que não remetem a mim. Viver num clichê e descrever plágios. Sei lá, por vezes cansa. Só acho! Hoje não vou deixar-me asfixiar com as palavras pressas na garganta, então me humilho ao implorar para que parte minha deixe de fantasiar. Impressionante que volto a cometer os mesmos erros. Aprisionada nesse labirinto sem saber se abandono o que sou ou se busco quem fui. Passado e presente se encontram outra vez, me obrigando a olhar para aquele mesmo espelho sem reconhecer o que lhe é refletido.
Olha moço, você não me deve explicações assim como não quero ouvi-las. Simplesmente veja que sou mais que a birra da noite passada. E não sorria ou chore com as minhas atitudes antes de desvendar a motivação por trás delas. Não fique perturbado se o texto estiver fragmentado enfim, os soluços não deixam que algumas frases se encaixem.
Temo perder seu modo de me ninar, o gosto de me fazer sorrir, o calor da tua proteção... Mas não afasto dos meus pensamentos o fato de te deixar. Dói menos! Sem brigas, sem lágrimas, sem arranhões. Posso até abrir mão das coisas boas. Infantilidade querer ser humano e não assumir tal postura. Foram tantas perdas no caminho que creio eu, não suportar se quer mais uma.
Cada célula do meu corpo anseia ao máximo cada cantinho seu. E meu sistema de defesa entra no vermelho quando ponho os olhos em você. A mais cruel e dolorosa infidelidade que transpira em mim é a impugnação. Tem coisas que não são agradáveis ouvir, mas percebemos o quão aveludadas são as palavras quando presenciamos de fato (...)

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