Carta para você que está chegando

Eu preciso te contar dos que estiveram aqui antes de você. Antes de qualquer coisa. Eu preciso falar sobre as cicatrizes, os tombos e os cacos que ainda tentam se juntar. Você está chegando agora, é novo no jogo, ainda não sabe os atalhos para fugir. Tô aqui para te dar as dicas, porque eu quero mesmo que você vença as minhas batalhas. Porque quero que você chegue, abra a porta e se sinta em casa. De visitas, tô cheia. Agora, eu quero alguém para ficar.
Já aviso que sou difícil. Cheia de cascas e camadas protetoras. Com o passar dos anos, construí meia dúzia de muros à minha volta. Mas não desista de mim. Dê voltas e me encontre. Entre os tijolos, escondem-se portas e janelas abertas para você entrar. Por trás da autossuficiência aparente, tem alguém disposta a amar de novo e de novo e de novo, até, finalmente, acertar. E o que eu mais quero é acertar com você.
Me ensina também. Sei que por trás desse sorriso de quem não leva a vida a sério tem as suas próprias decepções. Me fala daquela última garota que quebrou seu coração. Me mostra suas feridas, me diz aonde não devo errar. Eu juro – eu juro – que a última coisa que eu vou querer é te magoar. (Mas talvez, sem querer, eu te magoe)
Saiba que eu também já errei. Algumas vezes partiram meu coração, outras, fui eu que quebrei corações alheios. Eu não sou perfeita. E eu vou falhar. Vou gritar, dizer para você ir embora, falar que nunca deveria ter chegado. Talvez, a gente supere a nossa falta de jeito para o amor e consiga aprender a amar um com o outro. Talvez, a gente acabe com o mesmo fim de todas as minhas outras histórias mal acabadas, cheias de vazios e sem sorrisos.
Mas eu queria dizer, enquanto você ainda está na porta, que eu estou disposta. Eu tô largando tudo para tentar com você: meus medos, meus segredos, meus receios. Tô tirando a armadura porque quem foge do amor o tempo todo só tenta se enganar. No fim, eu só tô dizendo que amar você é quase como pular do precipício. Mas, por você, eu pulo. Eu pulo.
- Karine Rosa

Ao meu Xú .

"O cupido é um cara sábio, mostra, do jeitinho dele, o que precisamos aprender em cada época da vida."
Cheiro de café, cama quente e sono bom descrevem o já familiar. Sabe, eu tenho medo que as coisas terminem mal. Eu gosto do que é real em você! O riso fácil, suas expressões de bravo, seu queixo partido. Odeio quando não me liga, nem escreve, mas creio que você goste de compensar nas pequenas surpresas que me faz. Guardo em segredo detalhes bobos que talvez não permaneça em sua memoria, como sua mão quente em minha barriga ou aquele "vou fazer o possível pra não te machucar" soado numa madrugada para consolo de algumas lágrimas desesperadas. Vejo em você aquelas velhas nuvens brancas que faltavam como manchas no meu imenso céu azul. O imperfeito mais que perfeito. Certo pra mim. Cheio do muito que não me agrada e que me faz tão bem.
Na hora da raiva se cala, mas fere muito mais com atitudes insanas. É engraçado você ser tanto e mesmo assim me contrariar. Com suas comparações. Suspeitas vindas de um passado mal escrito. Promessas não cumpridas. Sua fala mansa compensa aquele eterno mau gosto musical. Seu corpo quente me faz esquecer suas provocações. E assim o lado bom vai se sobrepondo ao ruim. Fico grata por isso acontecer com frequência, porem tudo tem limites. Eu preciso de sinceridade, de responsabilidade, do que é seguro. Eu quero o respeito, o aconchego e quem sabe uma dança no canto escuro do seu quarto. Tem coisas que não tenho o direito de cobrar e mesmo assim vem crescendo minha lista junto com planos secretos já escritos num velho caderno escondido na estante.Você me ensinou onde o medo nós leva. Soltou a trava de segurança e quebrou o freio. E quando eu fico perdida, sem ter alguém pra conversar, eu sinto falta da sua amizade.
Então, noite adentro eu me perco nas palavras desprovidas de sentido para explicar como sucumbi à loucura. Fecho os olhos e volto ao momento em que tudo começou! Uma velha questão martiriza meus pensamentos. São tantas duvidas e poucas respostas. Resolvi abandona-las. Uma coisa é certa, aquilo que acelera as batidas dentro do meu corpo, é nobre. Que façamos bom uso do que nós foi concedido.

21:44

"Certa vez me disseram que eu era boa demais para você. Colocaram meu amor a leilão e apostaram que logo apareceria alguém melhor. Um cara que realmente se importasse ao invés de alguém que fica semanas sem telefonar e manda uma mensagem no meio da madrugada, dias depois do último encontro, dizendo que está com saudade. Como se essa palavra fosse a senha do meu coração. (...) Essa é a última vez. Antes de me despedir e apertar o botão sem volta, que leva estas palavras até você, aviso. Eu não quero te consertar. Nunca quis. Quero é provar que podemos ser exatamente assim, cheios de defeitos e sem nenhuma garantia. Invisíveis para o resto mundo, mas o suficiente um para o outro."

▬ Bruna Vieira

Quimera

Descrever o que vejo, sufocar com o que sinto!
Um brinde à dor de ver você saciar-se com lembranças que não remetem a mim. Viver num clichê e descrever plágios. Sei lá, por vezes cansa. Só acho! Hoje não vou deixar-me asfixiar com as palavras pressas na garganta, então me humilho ao implorar para que parte minha deixe de fantasiar. Impressionante que volto a cometer os mesmos erros. Aprisionada nesse labirinto sem saber se abandono o que sou ou se busco quem fui. Passado e presente se encontram outra vez, me obrigando a olhar para aquele mesmo espelho sem reconhecer o que lhe é refletido.
Olha moço, você não me deve explicações assim como não quero ouvi-las. Simplesmente veja que sou mais que a birra da noite passada. E não sorria ou chore com as minhas atitudes antes de desvendar a motivação por trás delas. Não fique perturbado se o texto estiver fragmentado enfim, os soluços não deixam que algumas frases se encaixem.
Temo perder seu modo de me ninar, o gosto de me fazer sorrir, o calor da tua proteção... Mas não afasto dos meus pensamentos o fato de te deixar. Dói menos! Sem brigas, sem lágrimas, sem arranhões. Posso até abrir mão das coisas boas. Infantilidade querer ser humano e não assumir tal postura. Foram tantas perdas no caminho que creio eu, não suportar se quer mais uma.
Cada célula do meu corpo anseia ao máximo cada cantinho seu. E meu sistema de defesa entra no vermelho quando ponho os olhos em você. A mais cruel e dolorosa infidelidade que transpira em mim é a impugnação. Tem coisas que não são agradáveis ouvir, mas percebemos o quão aveludadas são as palavras quando presenciamos de fato (...)

Para um amor quase possível

Posso pedir-te para guardar um segredo, mesmo que este esteja gravado em um papel amassado? Vi em um fim de semana paginas com algo escrito e imediatamente lembrei-me de você. Tentei não me imaginar copiando palavras que não eram minhas, mas que conseguiam descrever cada pedacinho teu, cada arrepio meu, tudo que minha covardia não permiti expressar. Não sei mais o que ou como dizer o que outra pessoa roubou de mim, então faço das palavras dela, as minhas! (...)

“E de repente o mundo inteiro cabe em um abraço, dorme no mesmo espaço e carrega no rosto a barba de semana passada. De repente eu perco o rumo, descanso os olhos e abrigo meus medos em um sorriso, em um abismo, que grita em silêncio os distúrbios e vantagens causados por um pulo meu. De repente eu sucumbo a loucura, abandono a razão, encho de companhia essa minha solidão e alivio. De repente eu consigo ver de longe, quase que embaçado ainda, alguém desatando meus nós, me reduzindo ao pó, e me montando novamente. De repente eu vejo você, moço, brincando com as minhas manias e guardando a nossa saudade na gaveta da sala.” N.B.

O tempo apaga


"E se apaga a gente tenta sem medo ou a gente tenta o mínimo, pois se não der certo não gastamos muito tempo? O que fica no mundo do que restou de um amor? Calendários marcam os dias, não o quanto faz falta, relógios as horas, não o quanto sufoca, passam dias e horas, não o que eu sinto aqui. Amigos me abraçam e me ouvem, mas não têm a sua voz, viagens me levam e me movem, só não há um destino chamado “Nós”, na mala o espaço para o abraço que eu queria sentir. Mapas indicam caminhos, não onde você está, placas a distância, não como reaproximar, caminhando em lembranças ainda posso te alcançar. Sorrisos revelam como é quando o sonho com a esperança condiz, com os olhos eu torço para ver a verdade, mas você ainda é a saudade de nenhum esforço para ser feliz. Cadernos trazem páginas vagas do que posso escrever, o tempo a chance de recomeçar, se eu escrever a nossa história ao contrário vamos de distantes no mundo a quem encontrou alguém para amar. Filmes mostram o quanto o amor pode ser lindo, não o que você vive, livros pedem que você vire a página para que a história siga, mas às vezes nem virar a página na vida faz com que a história termine. Pássaros voam tão livres para continuar, o céu que para uns é sonho para outros é estrada, é chão, ainda sem asas, você não imagina o quanto eu iria longe para o tempo voltar. Pensar traz novas idéias, mas não desfaz lembranças, recordar afaga a saudade só não mata a vontade, acordo pensando que cada novo dia poderia ser a reprise do dia mais feliz que vivi junto a ti. Espelhos me mostram sem refletir quem eu quero, fotos recordam o quanto foi sincero, nem segurando a sua foto em frente ao espelho eu te teria por perto. Do perto que eu queria. Que caiam as paredes de saudade, destruam tetos de orgulho, sumam quartos de tanta indiferença, enquanto se erguem portas de um amor de verdade e se mostram janelas para um futuro onde a felicidade pede licença. Dói quando o que está mais perto é a certeza de se estar cada vez mais longe de você. O quão perto de alguém pode ser o estar distante deste alguém que amamos? “O tempo apaga”, alguém me contou, talvez tentou apagar e não nos encontrou. Tem amor que o tempo apaga, tem amor que o tempo deixa a pagar, com o preço de saudade, com o troco de esperança, com a entrega em uma vida onde possa funcionar."
▬ Ruleandson do Carmo

Lembrar você me faz pensar besteira

     O momento de perceber que já deu o que tinha que da já passou, há tempos. Seguir é tão simples. Não sou presa ao nosso passado, ao meu passado. Historias parecidas já vivi ao montes e confesso, ficou apenas boas ou conturbadas recordações. Nada contra seu nome, sua nova vida ou aquela gargalhada que eu adoro. O único instante em que perco a voz e chego a aparentar tristeza ao dizer seu nome é aquele mesmo em que somo sorrisos dentro de mim com lembranças de nós dois. Tudo seu, nada me falta. Sou completa, mas suspirar com o ontem, por vezes, faz bem.